Visão de animal das profundezas na superfície gerou teorias; especialistas citam peixe diabo-negro, bioluminescência e migração vertical.
Pela primeira vez, um peixe abissal da espécie Melanocetus johnsonii, conhecido como peixe diabo-negro, foi filmado durante o dia. O registro ocorreu na superfície de Tenerife, no México, marcando um momento histórico para a ciência. Esse animal abissal, que habita as profundezas oceânicas, raramente é visto em condições tão claras, o que torna o vídeo ainda mais impressionante.
O peixe abissal, também chamado de peixe diabo-negro, é um dos seres mais intrigantes das profundezas marinhas. Sua aparência peculiar e adaptações extremas chamam a atenção de pesquisadores e entusiastas da vida marinha. A descoberta reforça a importância de estudar esses animais abissais, que ainda guardam muitos mistérios para a ciência. Além disso, o registro em Tenerife abre novas possibilidades para entender melhor o comportamento e a ecologia dessas criaturas fascinantes.
O fascinante mundo dos peixes abissais
Os oceanos da Terra escondem criaturas incríveis, como o peixe abissal, que habita as profundezas dos mares, entre 200 e 2 mil metros abaixo da superfície. Esses animais, como o peixe diabo-negro (Melanocetus johnsonii), são adaptados a ambientes extremos, onde a luz solar não chega e a pressão é imensa. A profundeza dos mares é um lugar misterioso, repleto de espécies que desenvolveram características únicas para sobreviver, como a bioluminescência para atraí-las presas.
Um avistamento histórico
Em 26 de janeiro, pesquisadores da ONG Condrik Tenerife, na Espanha, registraram um evento raro: o avistamento de um peixe abissal a apenas dois quilômetros da costa de Tenerife. O animal, identificado como uma fêmea de peixe diabo-negro, foi filmado durante o dia, algo incomum para essa espécie, que geralmente permanece nas regiões mais profundas do oceano. A cena gerou especulações na internet, com muitos associando o fato a possíveis desastres naturais.
Teorias e explicações científicas
Apesar das teorias conspiratórias, especialistas afirmam que a presença do peixe abissal em águas rasas não está relacionada a eventos catastróficos. Pedro Henrique Tunes, biólogo e mestre em zoologia pela UFMG, explica que o comportamento do animal pode estar ligado a uma doença ou desorientação. Ele também destaca que muitos animais abissais realizam a migração vertical, subindo para águas rasas durante o dia e retornando às profundezas à noite. No entanto, o Melanocetus johnsonii é uma exceção, pois raramente deixa as regiões mais profundas.
Características únicas do peixe diabo-negro
O peixe diabo-negro é conhecido por sua aparência peculiar e pela capacidade de emitir luz através da bioluminescência para atraí-las presas. As fêmeas, como a do vídeo, possuem essa característica, enquanto os machos são parasitas que dependem das fêmeas para obter nutrientes. A espécie filmada em Tenerife já faleceu e foi coletada como amostra para o Museu de Natureza e Arqueologia (MUNA) em Santa Cruz de Tenerife.
A zona abissal: um mundo de extremos
A zona abissal, localizada abaixo de 2 mil metros de profundidade, cobre cerca de 60% da superfície da Terra. Nesse ambiente hostil, onde a luz solar não penetra, vivem diversas espécies adaptadas a condições extremas, incluindo o peixe abissal e o peixe diabo-negro. Esses animais são exemplos fascinantes da biodiversidade das profundeza dos mares, um ecossistema ainda pouco explorado pela ciência.
Conclusão
O avistamento do peixe abissal em Tenerife é um lembrete da complexidade e dos mistérios que habitam os oceanos. Embora a presença desses animais em águas rasas possa gerar especulações, a ciência nos ajuda a entender que fenômenos como a migração vertical ou doenças são explicações mais plausíveis. O Melanocetus johnsonii e outras espécies das regiões mais profundas continuam a fascinar pesquisadores e entusiastas da vida marinha, revelando segredos sobre um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
Fonte: @ Terra
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