Óbitos por elevações e quedas intensas de temperatura geram perdas anuais de US$ 443 milhões; mortes por calor aumentam, afetando pessoas desprotegidas e trabalhador braçal.
Estudos recentes destacam que as temperaturas extremas têm um impacto significativo na saúde pública, especialmente em grupos vulneráveis. Elevações ou quedas bruscas de temperatura podem aumentar consideravelmente o risco de óbitos, afetando principalmente aqueles que estão em situação de rua ou que possuem maior sensibilidade térmica, como crianças e idosos. Temperaturas extremas, como as que ultrapassam os 30°C, já são capazes de causar exaustão em trabalhadores braçais, com sintomas como sudorese intensa, respiração acelerada e confusão mental.
Além disso, ondas de calor têm se tornado mais frequentes e intensas, agravando os efeitos das temperaturas extremas na população. Calor intenso pode levar a complicações graves, como desidratação e insolação, especialmente em regiões onde as pessoas não estão preparadas para enfrentar essas condições. É essencial adotar medidas preventivas, como hidratação constante e evitar exposição prolongada ao sol, para reduzir os riscos associados a esses fenômenos climáticos.
Impactos das temperaturas extremas na saúde humana
Quando as temperaturas extremas atingem marcas próximas a 40°C, até mesmo quem está em casa, sentado no sofá, pode sofrer mal-estar, apresentar sintomas graves e necessitar de internação caso o ambiente não esteja climatizado. O calor intenso provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, reduzindo a pressão arterial e forçando o coração a trabalhar mais para garantir que o oxigênio chegue aos órgãos vitais. Além disso, o corpo perde líquidos e sais minerais, agravando ainda mais o quadro clínico.
Consequências do frio extremo no organismo
Por outro lado, a exposição a temperaturas baixas por algumas horas desencadeia alterações inversas, mas com efeitos igualmente prejudiciais à saúde. Os vasos sanguíneos se contraem, concentrando o sangue nos órgãos internos. Isso eleva a pressão arterial e os batimentos cardíacos, e, se o corpo não se aquece rapidamente, o sistema cardiovascular pode entrar em colapso. Essas elevações e quedas intensas de temperatura são especialmente perigosas para pessoas desprotegidas, como aquelas em situação de rua ou trabalhadores braçais expostos às intempéries.
O equilíbrio térmico e seus desafios
O corpo humano funciona de maneira ideal dentro de uma faixa estreita de temperatura interna, variando cerca de 1 grau acima ou abaixo dos 36,5°C. Fora dessa faixa, problemas de saúde começam a surgir, sendo mais graves em crianças, idosos e indivíduos com doenças preexistentes. A meteorologista e médica Micheline Coelho, pesquisadora colaboradora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental (Lapae) da Faculdade de Medicina da USP, explica que as alterações térmicas extremas podem levar a complicações sérias, especialmente em grupos vulneráveis.
Pesquisas sobre os efeitos das ondas de calor e frio
Micheline Coelho, em parceria com o patologista Paulo Saldiva, coordena estudos que investigam a relação entre condições atmosféricas e saúde humana. Eles integram uma rede internacional de pesquisa que, na última década, tem estimado o impacto das temperaturas extremas na saúde e na economia. Um estudo recente, publicado na revista Environmental Epidemiology, analisou dados de 13 países da América Latina e três territórios ultramarinos franceses, calculando a proporção de mortes atribuíveis ao frio extremo e ao calor intenso.
Dados alarmantes sobre mortalidade
Nas 69 localidades avaliadas, que abrangem desde o México até o Chile, incluindo o Brasil, foram registradas 408.136 mortes relacionadas ao frio e 59.806 ao calor entre 1997 e 2019. Os óbitos causados pelas baixas temperaturas representam 4,1% do total, enquanto aqueles decorrentes do calor correspondem a uma porcentagem menor, mas ainda significativa. Esses números destacam a importância de políticas públicas para proteger pessoas desprotegidas e mitigar os efeitos das alterações térmicas extremas.
O papel das mudanças climáticas
As ondas de calor e o frio extremo estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas. Trabalhadores braçais e indivíduos em situação de rua são os mais afetados, pois muitas vezes não têm acesso a recursos básicos para se protegerem dessas condições adversas. A combinação de elevações e quedas intensas de temperatura com a falta de infraestrutura adequada agrava os riscos à saúde, especialmente em regiões onde as alterações térmicas são mais pronunciadas.
Conclusão
As temperaturas extremas, sejam de calor intenso ou frio extremo, representam um desafio significativo para a saúde pública. Compreender os mecanismos pelos quais essas condições afetam o corpo humano e implementar medidas de prevenção são passos essenciais para reduzir os impactos negativos, especialmente entre as pessoas desprotegidas e aquelas expostas a situações de vulnerabilidade.
Fonte: @ Terra
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